segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Vista do Sector - Ac. Viseu

Ac.Viseu x Tondela

Dia de derby... Ora bem, nada melhor portanto.
Acordo, almoço e vou para a tasca do estádio do Fontelo onde já se econtravam cerca de 30 ultras a conviver, num clima de grande festa e entusiasmo. Faltavam ainda umas 3 horas para o início da partida e era bem visivel o forte aparato policial montado nas imediaçoes do Fontelo.
Aos poucos iam chegando os nossos ultras e adeptos tal como adeptos visistantes (familias e crianças,  sobretudo). Tudo aconteceu com normalidade sem nenhum problema. Com o jogo prestes a começar chegam 2 camionetas escoltadas com adeptos do Tondela e a sua claque.
(símbolo do Académico a cortar um crocodilo) 

Dentro do estadio foi aberto um plástico como se pode ver na imagem e algum fumo. O Académico mostrou um bom futebol sobretudo na segunda parte, correspondendo ao nosso apoio.

Da claque visitante confesso que só os ouvi algumas vezes na primeira parte.

Tudo correu bem durante o jogo, e passado alguns anos gritou-se VISEU bem alto de uma bancada para a outra, um momento lindo!

O pior foi o final do jogo em que ficamos retidos no nosso setor cerca de 20 minutos, algo inédito visto que estavamos na nossa casa.

Foi um bom resultado e o Académico manteve uma tradição de longos anos e venceu de novo!


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Diário de um ULTRA


Dou comigo a pensar várias vezes, o que ainda me prende à curva ao fim de estes anos todos, o que ainda me faz mover de Domigo para Domingo, inventar tempo que não disponho para cumprir com a promessa: "Sempre Presente".
Ainda me lembro bem de há alguns anos atrás, desfolhar a primeira Supertifo, tal como qualquer adolescente olha para uma revista de "Senhoras", e sentir um orgasmo visual. Do meu primeiro correspondente estrangeiro e da agonia que sentia nos dias em que as cartas não chegavam, do primeiro cachecol da colecção e das infindáveis fotografias espalhadas por tudo quanto é canto lá por casa. Dos amigos que fiz por todas as curvas deste país, e dos bons momentos que passamos juntos a trocar material e experiências, gostaria de inumerar a todos, um por um, mas entre amigos é assim, ficam os momentos no coração.
Nos últimos anos e talvez por culpa minha e de muitos outros ultras a "família" foi-se destruindo com a obsessão de cumprir melhor o objectivo a que nos propomos como ultras - apoiar incondicionalmente o clube do nosso coração.
O problema do movimento foi crescer sem estruturas organizadas e como um atleta dopado preocupamo-nos em ter mais elementos do que os outros grupos, em fazer as melhores coreografias e deslocações, ter na ponta da língua os cânticos da moda, não que tudo isto não seja importante porque o é, mas esquecemo-nos de transmitir a alma do movimento ou como gostamos de dizer entre nós, a MENTALIDADE!
Esquecemos-nos de que quem esta na curva em frente é alguém que pensa como nós, que apenas usa cores diferentes, esquecemos-nos que eles reforçam a nossa existência e sobretudo esquecemos-nos de aprender com os erros que ao longo destas duas décadas (fundamentalmente na data de fundação da mais antiga claque portuguesa) fomos comentendo.
Fomos assistindo à chegada de pseudo-ultras que nos foram impondo a sua linguagem de violência e roubos e fomos testemunhas da saída de grandes ultras das curvas por deixarem de pactuar com a atitude de muitos directores de grupos que não tomaram as devidas atitudes e penalizaram indivíduos estranhos ao movimento, chegando ao extremo de achar até piada e dar a verdadeira pancadinha nas costa como acto de reconhecimento, nós é que somos maus!!!
Preocupamos-nos em criticar a falta de atenção dos média para os nossos espectáculos e a falta de segurança nos estádios, o excesso das acções policiais, mas poucas ou nenhumas foram as vezes em que empreendemos uma acção conjunta que fosse para melhorar-mos a situação.
Falamos das revistas estrangeiras como verdadeiras bíblias mas poucas foram as vezes que compramos as que se fazem por cá, ou enviamos material sobre o grupo ou até uma pequena opinião que seja para a secção das cartas, deixando-as para os meninos que se deliciam a trocar "piropos" a tentar provar qual deles é realmente o mais estúpido.
Fomos pactuando com tudo isto, e o que recentemente aconteceu no Jamor (morte do adepto leonino) é a prova que os verdadeiros ultras se deixaram ultrapassar. O que me faz ainda cá andar, é acreditar no movimento, é partilhar a vontade de vencer cantando com o colectivo, é celebrar a amizade em cada tocha, é galgar a estrada e partilhar cada momento que se passa na curva, aqui reside a nossa mística, aqui esta a força do movimento ultra, aqui vivem os que infelizmente já não se encontram entre nós, aqui reside o "SEMPRE PRESENTES".

De novo e com mais força que nunca "SAUDAÇÕES ULTRAS"

Pipa
Revista SUPER ULTRA, Setembro de 1996

terça-feira, 13 de agosto de 2013

SUPER ULTRA - Fotomontagens

Fotomontagens presente na edição de Setembro de 1996 da revista SUPER ULTRA


1- Torcida Verde;
2- Panteras Negras;
3- No Name Boys;
4- Juventude Leonina;
5- Mancha Negra;
6- Fighters Boys.

Partilha de conteúdo Fanzines

Tenho aqui para casa várias revistas Ultras Nacionais com alguns aninhos em que já comecei a partilhar com vocês algumas das suas publicações como textos de opinião (God save the...ULTRAS), fotos e tudo o que ache que possa ser do vosso interesse. Vou ter um dia específico para os textos de opinião (quinta-feira), outro para fotos (terça-feira) e ainda outro para um artigo seleccionado por mim de forma a deixar-vos curiosos e todos os dias visitarem o blog a ver se já saiu o artigo (este não tem dia certo). Espero que gostem e que isto seja do vosso agrado.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

GOD SAVE THE... ULTRAS !!!


(Quase) assim reza o hino britânico que nada nos diz, mas que apenas podemos tirar a ideia de que nem Deus consegue salvar a Rainha de Inglaterra dos escândalos da família real...
...E nós?! Quem nos salva de tanta vergonha e incoerência?! Só nós próprios.
Um apelo que aqui quero deixar a todos os verdadeiros ultras da nossa pátria. Neste início de campeonato espera-se que chegando ao fim deste se possa fazer um balanço positivo. Não quero que após lerem este artigo de opinião digam que existe mais um "Fábio Bruno" em Portugal. O meu único desejo, e deixando de lado as preferências clubísticas, é que todo o mundo ultra cresça saudável e sem podridões no nosso país.
Se na época passada já foi menos mal espera-se que esta época seja melhor ainda. Para que isso aconteça não nos podemos esquecer dos erros do passado (bem próximo) (...)
É de rever a utilização do material pirotécnico usado e é também de rever quem o utiliza. Prefiro pensar que tudo não passou de um acidente, mas acidentes destes não podem acontecer. Com isto só as claques é que ficam a perder pois as autoridades, muito dificilmente, nos vão deixar utilizar tochas e fumos. O que serve para fazer uma festa de côr, é proibido por um erro fatal. Já se tinha falado em pôr os espectáculos pirotécnicos de lado mas enquanto as mentalidades não mudarem teremos que continuar a fazer as coreografias só nos jogos grandes, que é quando os estádios estão cheios e elas resultam.
As forças policiais desempenham também um papel importante na actuação das claques, e muitas vezes ficamos mal vistos por culpa das autoridades que abusam, facilmente, de nós, reprimindo-nos em quase tudo. E mais uma vez só nós o podemos evitar não lhes dando motivos para actuarem, porque alguns destes srs. pensam que como houve problemas no dia tal com o grupo "x" passado um mês ou dois o grupo "y" também pode levar porque "são todos iguais".
Há que combater a tendência que existe para a violência. Os grupos de 1º plano têm que ser os primeiros a dar o exemplo, para que os grupos mais pequenos não tentem superá-los de forma negativa. Há que fazer parar e irradicar dos nossos grupos os pseudo-ultras que utilizam as claques para se tentarem destacar. A nós, dirigentes das claques e às respectivas organizações, cabe-nos impôr e ditar as nossas regras, porque quando se está à frente de um grupo é para o guiar ao bom caminho e não é para o deixar cair na violência e outras cenas tristes.
Gostava que pensassem neste apelo, pois é isso que eu pretendo fazer, "apelar à dignificação das claques". Há que separar o trigo do joio, há que pôr as claques de um lado e os grupos de arruaceiros do outro e talvez aí tenhamos um bom motivo para lhes esmurrar a cabeça. Pois assim talvez entendam que o mundo ultra não é para eles mas sim para nós.
"God save the... Ultras"

Emanuel Lameira (na altura líder dos Diabos Vermelhos)
Revista SUPER ULTRA, Setembro de 1996


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"Futebol sem bola"

"Sempre fui adepto de futebol. Principalmente daquele futebol sem bola, e com centenas de jogadores de cada lado. Conheci esse futebol estranho para aí com 13 anos. Era um miudo calado e desamparado sem muitos amigos que olhava de longe para aquelas partidas emocionantes de parte a parte entre equipas bastante ruidosas que jogavam em tudo menos num relvado. Passei muitos anos ate me aproximar delas. Tinha medo de dizer aos meus pais quanto me fascinavam aqueles jogos e como os meus colegas gozavam com a minha paixao, simplesmente observava , acumulando dor e vontade de jogar. Diziam que costumava ter um ar triste e eu negava, mas era verdade. Em 2010 formei a minha equipa, nada numerosa, mas apaixonada, e um ano e meio depois , aproximei-me da equipa afecta ao meu clube, com mais gente , e jogadores experientes de grande respeito. Continuo um miudo desamparado coom poucos amigos e com grande dor, tipica de puto adolescente : a dor de estar relegado para um mundo aparte e condenado a nunca ser compreendido no que gosto e acredito nem que desista e me entregue a um comum desejo mais adulto, ter filhos, um emprego uma vida. Desamparado continuo eu, jogador de um futebol diferente onde o campo é incendiado por mim e pelos meus poucos amigos num grito de raiva contra quem nos provocou esta dor incessante. Oh, e como é lindo o nosso campo a arder! Como é belo o nosso futebol , ou melhor, a nossa vida. Viver apenas 90 minutos por semana é penoso, mas mais penoso é viver 24 horas por dia de dor sem anestesia. Uma dor que nunca se apagará mas que vou atenuando. Nunca pensei que fosses tanto para mim, cara amiga. Deste-me o escape de vida existente em mim. Por ti luto, por mim o faço pois sem a tua existencia teria morrido há muito. Obrigado curva."

Ricardo Lourenço

sábado, 27 de julho de 2013

História da Mancha Negra

Hoje trago-vos um pouco de história, relatada na fanzine CENTRAL B, fanzine oficial da Mancha Negra - Março 2002.

"(...) Tinha-se por objectivo encher a bancada central descoberta do Municipal de Coimbra com capas e batinas e bandeiras da Académica.
É então, em 1985, que começa a aparecer uma nova vaga de grupos de apoio à Briosa, ideias diferentes, maneiras de estar diferentes. Novas formas de apoio, mas sempre vestidos de negro. É então que surge a mais antiga falange de apoio da Académica que se encontra em actividade plena, estando actualmente a comemorar o seu 17º aniversário (em 3 de Março). Estamos a falar da Mancha Negra, que ao contrário do que o nome indica, dá um beloo colorido aos estádios onde se apresenta.
A Mancha Negra surgiu da fusão de 3 grupos de adeptos: Força Negra, Maré Negra e Slum Power, este último o mais poderoso e o primeiro a aparecer. Desta reunião de diversas falanges apareceu a claque que usou o nome de uma das mais populares personagens da Walt Disney: a Mancha Negra. Teve a sua fundação a 3 de Março de 1985 no jogo AAC - Braga.
A Mancha Negra tinha por objectivos estabelecer amizades com grupos de apoio de jovens dos restantes clubes, apoiar a Académica e ter um protagonismo no desenvolvimento do mundo ultra em Portugal.
A Mancha Negra foi pioneira, juntamente com os Comandos do Minerva, a organizar o 1º Congresso de Claques (11 de Maio de 1985) (...).
A Mancha Negra proclama também no seu historial, o facto de terem sido os primeiros a utilizar espectáculos de fogo de artifício em Portugal. Actualmente a MN conta com cerca de 400 inscritos, mas apenas 230 com a situação regularizada. Nunca deixamos de apoiar o clube do nosso coração e somos 100% Briosa, ao contrário do que muitos apregoam e fazem querer. A Mancha Negra conta com vários núcleos espalhados por todo o Portugal continental e ilhas.
A Mancha Negra tem uma amizade única e ímpar no panorama ultra nacional, da qual muito nos orgulhamos. Estamos a falar claro da amizade com os Desnorteados (SC Espinho) e com o Grupo Manks (SLB): para eles um grande abraço. Quanto a inimizades, achamos não ter ninguém à altura para nos enfrentar, apesar de haverem uns porcos brancos de Leiria e Guimarães que se acham nossos inimigos.
O nosso lema é: Briosa, se jogasses no céu, morreríamos para te ver."