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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Entrevista núcleo Nova Guarda da Alma Salgueirista




Quando foi fundado o núcleo da nova guarda e o porquê da sua fundação?
- O núcleo da Nova Guarda foi fundado no dia 8 de Dezembro de 2011, nomeadamente no dia em que o Salgueiros fez 100 anos de existência.
A intenção de criar este núcleo foi de promover o clube nos mais jovens e incutir-lhes o que representa o Salgueiros a nível nacional e também recrutar mais membros para o nosso movimento. 



Actualmente o núcleo conta com quantos membros? Normalmente, todos eles seguem o Salgueiros para todo o lado?
- Temos cerca de 10 membros…. Mas com a situação pouco favorável que o nosso país atravessa é difícil levar todos os membros aos jogos, mas estamos sempre 4/5 membros presentes por jogo.


Qual achas que foi o melhor momento do núcleo? E o pior?
- O melhor momento do núcleo foi sem dúvida alguma a invasão que fizemos a Pedrouços, num cortejo com cerca de 100 pessoas e que acabou com uma magnifica coreografia e com uma goleada.  Ainda temos um pequeno percurso, por isso ainda não tivemos nenhum momento mau em destaque.


(O cortejo em Pedrouços)


(Dentro do estádio)


Como caracterizas o teu núcleo e a Alma Salgueirista no geral?

- Caracterizo a Alma Salgueirista sendo um grupo com 27 anos de existência, um pouco raro em grupos em Portugal e a nossa maior característica é a fidelidade. Também é da nossa opinião que a curva Salgueirista poderá ser um dos melhores grupos em Portugal….. basta querer.


Como vocês viram a situação do mítico estádio Vidal Pinheiro?

- Poucos membros se lembram do mítico Vidal Pinheiro. Mas durante dezenas e dezenas de anos foi a casa popular do Salgueiros, uma ilustre coletividade radicada em Paranhos, na cidade do Porto, quase centenária e com enormes pergaminhos no futebol português . Aquele recinto foi palco de inúmeras, saudosas e renhidas batalhas futebolísticas que opuseram ao longo da história o Salgueiral  aos maiores clubes do futebol nacional. Caracterizava-se  como um campo que tradicionalmente criava imensas dificuldades ás equipas adversárias. Temos saudades.


(estádio Vidal Pinheiro, entregue ao abandono)
 

Fazem parte de um grupo histórico e com uma velha guarda que continua activa. Sentem que esses VG contribuem para uma boa evolução da vossa parte enquanto Ultras?

- Claramente que sim, foram um enorme apoio naquilo que tentamos fazer em prol do clube e do próprio grupo, só temos é de agradecer-lhes.


Como é o vosso relacionamento com os outros grupos? Têm alguma rivalidade ou amizade com alguém?

- Temos bons relacionamentos com outros grupos nomeadamente Fúria azul (Belenenses) Ultras Ermesinde(Ermesinde). Rivalidades temos com a Brigada Bricolor (Felgueiras)  e os Pantera Negras (Boavista).


O vosso núcleo tem algum material,nomeadamente no que a panos diz respeito. Tudo feito à mão?

- O nosso primeiro pano não foi feito á mão... mas com o passar do tempo fizemos as nossas únicas faixas á mão e temos muito orgulho nelas. E aproveito para deixar aqui também o agradecimento. nomeadamente aos que nos ajudaram para que esta fosse feita.


(foto de grupo, onde o pano não poderia faltar)


Têm ainda um cachecol próprio. Porquê a existência do mesmo?

- Sim temos os nossos próprios cachecóis, pois é um cachecol que representa o que somos e os ideais que devemos seguir. Um cachecol de amigos.


(Aqui o núcleo com um pano e o seu cachecol)


Numa entrevista realizada à quase 2 anos, um Velha Guarda da Alma Salgueirista referiu, sobre a malta mais jovem que "esta geração tem o nome adequado, geração “playstation", são uns acomodados sem vontade própria nem personalidade para fazer certas coisas". Concordas com este ponto de vista?

- Concordo plenamente. Atualmente é muito fácil ser do clube que ganha, do clube em que a bola bate na rede e esses jovens não fazem a mínima ideia dos ideais que representa esses clubes é muito fácil falar, fazer pouco. Mas também a Tv veio ajudar a cimentar esta geração da “ playstation” onde é possível marcar golos de várias formas e feitios. Support your local team.


Achas que esta juventude que começa a aparecer nas curvas vai conseguir elevar para outro patamar o movimento Ultra Nacional?

- Acho muito difícil que isso aconteça pois o movimento ultra não se resume aos 3 grandes  e digo isto porque, só vejo jovens em grupos ligados aos 3 grandes clubes nacionais e que muitos nem sabem o que lá andam a fazer.


O vosso grupo sofre ou já sofreu algum tipo de repressão? Seja da parte da direcção do clube ou mesmo policial..
- 
No que toca à direção não temos qualquer tipo de problemas, já com a policia somos alvo de alguma provocação por parte das autoridades.


A um nível mais pessoal, o que é para ti ser Ultra?

- O que importa não é o que fazemos ou levamos para o estádio que nos dá a denominação ULTRAS!

Ser ULTRA não passa por carregar material, não passa por cantar, não passa só e apenas por apoiar.

Mas sim viver o clube como um amor único que se tem desde a nascença. De forma apaixonada, e sempre a combater pelo nosso amor, como se fosse a única coisa que nós temos e que nos procuram tanto tirar, seja por gente dentro do clube, pelos "media", pelas forças policias, nada pode deter um amor quando o mesmo se torna tão forte tanto quanto as forças que temos dentro dum estádio.

Por ventura nem todas as batalhas que travamos pelo nosso amor, por vezes faz sentido a outras pessoas. Mas a nós faz e porquê?

Porque acreditamos mesmo nos momentos mais árduos e sinistros. Fora ou dentro do estádio!

Ser ULTRA... não é moda, é uma forma de viver!




Como vês o movimento Ultra Nacional actualmente?

- O movimento ultra nacional já teve melhores dias e o que me surpreende são os grupos das divisões inferiores, são aqueles que mais cartas dão. Dou um especial ênfase aos South Side Boys, Ultras Ermesinde e o Grupo (Rio tinto) e claro nós.



O que achas e como vês o movimento casual?
- Pessoalmente admiro muito o “casual style” e aprecio as suas maneiras de estar e cultura.


Acreditas que o Salgueiros tem possibilidade de subir à liga principal?

- Estou bastante otimista e acredito que num futuro a médio prazo o salgueiros estará de volta a onde nunca deveria ter saído.


Alguma consideração que queiras fazer sobre o vosso núcleo/grupo ou no geral?

- Queria frisar  que o Salgueiros é um exemplo a nível nacional, pois desistiu por sua e só sua vontade dos campeonatos profissionais por falta de banca, e que foi inserido nos distritais em 2008 contando sempre com 2500 pessoas nas bancadas e neste momento estamos na 3ª nacional (4 anos, 3 subidas) .


Muito obrigado por me concederem esta entrevista, tudo de bom para o grupo. Não se esqueçam que nós somos o futuro !

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Entrevista Exército 1914 (A.Viseu)

 Nova entrevista, desta vez com uma das claques de apoio ao Académico de Viseu que após uma saída do Comando Ultra Viseense decidiram formar este novo grupo. Sem mais demoras aqui vos deixo com a entrevista realizada a um dos fundadores do Exército 1914:



Quando foi fundado o grupo e o porquê da sua fundação?
- Foi fundado a 10 de Abril deste ano  (altura dos play-offs de subida de divisão).
A nova guarda do comando viseense tomou a inciativa de criar um grupo de ultras à parte para assim terem mais autonomia e os seus próprios projetos em prol do Académico e do seu novo grupo.


Como surgiu o nome "Exército 1914"?
- Foi uma decisão dificil e nem todos concordaram, mas primeiro:
Exército porque dá a imagem de um coletivo forte e com poder
1914 por ser o ano da fundação do clube


Actualmente o grupo conta com quantos membros? Normalmente, todos eles seguem o Viseu para todo o lado?
- Temos perto de 60 elementos registados atualmente e com vista a chegar mesmo aos 100 elementos.
Sabemos  que quantidade não é qualidade e quando se trata de ir a jogos fora quando não ha autocarro , são muito poucos aqueles que marcam presença, mas apesar de tudo a nossa faixa está pendurada na rede sejamos  7 ou 30.


Qual achas que foi o melhor momento do grupo? E o pior?
- O melhor momento do grupo foi sme duvida o ultimo jogo da época passada em S.Pedro do Sul, onde marcamos uma forte presença e o Académico de Viseu confirmou a subida de divisão.
Foi lindo ver o estádio rival composto não só de ultras mas tambem de imensos adeptos do Ac.Viseu que se deslocaram até S.Pedro para ver a sua equipa!
Ainda temos um percurso pequeno, por isso nao tivemos nenhum momento mau de destaque.


Como caracterizas o E.1914?
- Um grupo com objetivos e futuro, composto por elementos da nova escola que apoiam a equipa da cidade e que enriquecem o movimento em Portugal nas divisões inferiores.


No vosso seio há bi-clubistas?
- Todos os elementos são adeptos de outros clubes e compreende.se pois cresceram com um Academico nas divisões inferiores e hoje em dia o lema ‘’support your local team’’ nao se aplica ao nosso país infelizmente.
Apesar disso se o Ac.Viseu defronta-se um Benfica , Sporting , Porto etc... certamente todos estariam na bancada de alma e coração a torcer por o clube da cidade!


Quando o outro clube de coração além do Viseu é diferente não há confusões? Como gerem isso?
- Não ha qualquer tipo de confusão, cada um sabe de si e no grupo estamos  todos pelo mesmo objetivo!


Como é o vosso relacionamento com o Comando Ultra Viseense?
- É um bom relacionamento, até porque a nossa formação deriva do Comando.
Não ha qualquer tipo de rivalidade, todos os elementos conhecem-se mutuamante e a maior parte deles são amigos pessoais.


Como é o vosso relacionamento com os outros grupos? Têm alguma rivalidade ou amizade com alguém?
- Neste momento , não temos amizades nem rivalidades com ninguém.
O que existe são algumas equipas com claques o que gera sempre o ambiente clássico de picardia, nada fora do normal.
É certo que há amizades pessoais com membros de outros grupos mas nada importante.


A maioria das vossas bandeiras são simples, pretas e brancas, mas criam um bom efeito visual. É essa uma das posturas a seguir pelo grupo?
- Sim por enquanto seguimos esse modelo.
É simples, bonito e dá um belo efeito ao estádio do Fontelo.

(bandeiras simples, mas com bom efeito visual e ainda a frase pintada à mão)

Ainda a nível de material, os vossos panos são feitos à mão?
- Sempre!
É um dos aspetos que queremos reforçar no nosso grupo , pois todo o material é feito á mão, o que faz com que exista ,convivio ,empenho e dedicação.
O único material que pode surgir de uma grafica será uma bandeira de grandes dimensões com o simbolo do clube nada mais.


Acham que esta juventude que começa a aparecer nas curvas vai conseguir elevar para outro patamar o movimento Ultra Nacional?
- Penso que sim, sobretudo se forem ensinados no bom caminho pelos mais velhos.
Falando por experiencia propria vejo cada vez mais jovens com uma boa mentalidade nas curvas!


O vosso grupo sofre ou já sofreu algum tipo de repressão? Seja da parte da direcção do clube ou mesmo policial..
- Quanto a policial não temos grandes queixas, apenas alguns comentários sobre o uso de bombas de fumo ou petardos.
Quanto à direção é uma relaçao de amor/ódio pois ou nos apoiam ou nos criticam..
Mas independentemente de tudo não desistimos , contra tudo e todos.


A um nível mais pessoal, o que é para ti ser Ultra?
- Ser ultra é apoiar o meu clube junto dos meus amigos, na nossa bancada, no nosso grupo.
Tentar seguir a equipa para todo o lado, marcando sempre presença com a nossa faixa ou pano.
Fazer a festa, conviver e todos os extras que nós sabemos!


O que achas e como vês o movimento casual?
- Pessoalmente sou fã do movimento e aprecio imenso a cultura.
Fico contente de ver que por Lisboa o movimento está cada vez mais vivo!


O que pensas desta "nossa" geração em relação a este mundo Ultra?
- Acredito plenamente que somos um bom futuro para os grupos nacionais e que nunca nos deixemos vender por outros interesses. (espero eu)
O movimento precisa de nós


Como vês o movimento Ultra Nacional actualmente?
- Já teve melhores dias.
Apesar de tudo os grupos de clubes mais pequenos e de divisões inferiores são aqueles que têm dado provas e grandes surpresas.
O meu destaque vai claramente para os South Side Boys.


Acreditas que o Académico de Viseu tem possibilidade de subir à liga principal?
- Todos os Academistas acreditam! E estamos no bom caminho!
Uma cidade como Viseu precisa da sua equipa na primeira liga sem qualquer duvida!
Mas uma coisa é certa , seja na primeira a liga ou na distrital nós estaremos presentes!


Alguma consideração que queiram fazer sobre o vosso grupo ou no geral?
Queria salientar o facto do Comando Viseense permanecer no estádio do Fontelo desde 2007!
Quanto a nós? Temos o mesmo objetivo e só caminhamos para tal!
Exército 1914!


Muito obrigado por me concederem esta entrevista, tudo de bom para o grupo. Não se esqueçam que nós somos o futuro !

sábado, 13 de outubro de 2012

Entrevista Tutti Nero (Mancha Negra)

Dando seguimento à rúbrica das entrevistas, aqui fica mais uma, desta vez com o grupo mais jovem (em idade) da Mancha Negra, claque de apoio à Académica.


Os Tutti Nero foram fundandos em que ano e com que intenção?

- Os Tutti Nero apareceram em Janeiro de 2008 com a intenção de angariar novos sócios para a claque e fundamentalmente apoiar o Clube da nossa Cidade.



Basicamente, a maioria da vossa malta é jovem?

- Sim, a media da idade dos elementos do nosso núcleo deve andar na casa dos 20 anos


Contam com quantos elementos?

- Na época passada(2011/2012) tínhamos 55 elementos.
Nesta época, ainda com as renovações a decorrer, ainda não temos números concretos


Pelo que sei, têm uma faixa do núcleo. De onde surgiu a ideia? Na vossa opinião acham que a faixa do núcleo deve estar a superiorizar-se à da MN?

- A ideia surgiu naturalmente, cada núcleo tem a sua faixa e nos como novo núcleo, na altura, a faixa não podia ser esquecida

(faixa do núcleo)

Contam com mais material do núcleo? Se sim, pintado à mão?

- Neste momento temos um estandarte mas não foi pintado à mão


Em 2010 tiveram uma iniciativa curiosa em oferecer ao resto da malta um pernil. Costumam ter iniciativas do género?

- Essa iniciativa surgiu devido ao bom espírito de grupo que existe no seio da claque. Tomámos essa iniciativa como outros núcleos já o fizeram também.


Pelo iniciativa que referi na questão anterior, posso concluir que têm uma boa relação com o resto dos núcleos e malta da MN. Foram bem recebidos e integrados?

- Como chefe de núcleo, não tenho razoes nenhumas de queixa por parte de nenhum elemento mais velho e com mais anos de claque, muito pelo contrario. Na pintura da nossa primeira faixa contámos com ajuda de vários elementos e todo o material necessário para a pintura da mesma foi nos dado pela direcção da claque.


A MN85 é uma das mais antigas claques nacionais. Os bons valores Ultras foram vos transmitidos? Sentem que a velha guarda olha pra vocês como sendo realmente o futuro ou descarta-vos um pouco?

- Sem dúvida, eles sabem que nós podemos ser e vamos ser o futuro da claque e passam-nos todos os bons valores que a claque tem. Estamos sempre aprender com os mais velhos, até em exemplos de vida. Para muitos de nós a Mancha Negra já tem membros mais importantes que alguns familiares... É muito tempo dedicado ao clube, o que faz com que passemos muito tempo juntos em grande convívio.


Como foi para vocês a conquista da taça de Portugal? Qual o sentimento?

-Foi um momento Fantástico, lindo e emocionante. Foi um sonho tornado realidade. Só quem viveu aquele dia sabes explicar o quanto foi importante para todos nós... nao existem palavras suficientes para descrever aquele dia...! Memorável!!!


Como vencedores da taça conseguiram, novamente e após muitos anos afastados, voltar a uma grande prova Europeia. Tencionam fazer alguma deslocação num jogo europeu? Foram à República Checa, ver o jogo frente ao Viktoria Plzen?

- O núcleo esteve presente na Republica Checa com 5 elementos e agora estamos a preparar um autocarro para Madrid, queremos que todos os associados à mancha Negra e ligados aos Tutti Nero   estejam presentes no Jogo em Espanha, Vai ser uma viagem que muitos de nós esperamos à muito tempo, ir de autocarro, num jogo europeu! Todos sabemos que o espírito a viajar de autocarro é  magnifico!


A nível de apoio como têm considerado a vossa prestação este ano? E em termos de números, o núcleo costuma fazer boas deslocações?

- Temos mantido o nosso espírito, apoiar o clube do primeiro ao ultimo minuto.
O núcleo na época passada fez boas deslocações, jogos onde conseguiu, praticamente, encher um autocarro. Esta época estamos um bocadinho mais fracos mas ainda há muito campeonato pela frente e as coisas vão melhorar.
Como já referi, a media de idades está nos 20 anos e o preço dos bilhetes para os jogos está cada vez mais caro e como muitos de nós ainda dependemos dos nossos pais só com muito esforço e com muitas poupanças durante a semana é que há dinheiro para ir ver o clube do nosso coração!


Costumam acompanhar apenas o futebol ou também outras modalidades?

- Futebol e futsal


Acham que esta juventude que começa a aparecer nas curvas vai conseguir elevar para outro patamar o movimento Ultra Nacional?

- Eu espero que sim, sinceramente. Mas as regras impostas no futebol vai desligando as pessoas do mesmo. Só os verdadeiros é que resistem!


Alguma consideração que queiram fazer sobre o vosso grupo ou no geral?

- Apenas um citação da Claque" Se jogasses no céu morreríamos para te ver"


Obrigado pela vossa disponibilidade, tudo de bom para vocês e para o grupo.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Entrevista Ultras Resistência

Hoje inicío aqui uma nova rúbrica: Entrevistas !
Para começar, convidei o grupo Ultras Resistência, grupo de apoio ao Real Sport Clube, de Massamá. Grupo este constituído na sua maioria por malta jovem. Sem mais demoras aqui fica a entrevista na íntegra:



Quando foi fundado o grupo e o porquê da sua fundação?

- O Grupo foi fundado em 2010 no seio de uma escola secundária da nossa terra, massamá : a Stuart Carvalhais. No inicio não era mais do que um grupo de alunos que apoiavam o núcleo de hóquei da escola, acontece que a coisa foi evoluindo e surgiu a necessidade de seguir a verdadeira Mentalidade Ultra (Support your local football team) e começar a ir aos jogos do clube da nossa terra além dos jogos da nossa escola. Acontece que no inicio deste ano houveram alguns problemas que não vale a pena serem falados aqui que nos obrigaram a abandonar os jogos da nossa escola , o que fez com que o grupo se tornasse 100% afeto ao Real Sport Clube.
 

O núcleo é restrito ou qualquer pessoa pode pertencer ao mesmo?
- Qualquer pessoa que esteja disposta a defender o grupo e o clube, apoiando-o incondicionalmente jogo a jogo é muito bem vinda a esta família.


Actualmente o grupo conta com quantos membros? Normalmente, todos eles seguem o RSC para todo o lado?

- Isto é uma pergunta difícil de responder. Inscritos como sócios da claque somos por volta de 10, embora membros rondem os 15-20. Acontece que nem todos seguem o Real para todos os jogos, sendo que temos uma média de 12-15 pessoas por jogo. Claro que existem um grupo de membros mais fiéis que além de irem a todos os jogos estão sempre disponíveis para ajudar seja no que for.

 

Actualmente estão na 3ªdivisão, a malta tem outro clube de coração ou apoiam o vosso clube a 100%?

- Todos amamos o Real SC, mas claro que temos as nossas preferências clubísticas. Mas obviamente isso não se mistura, temos dois membros na direcção : um sportinguista, outro benfiquista, apenas para dar o exemplo….

 

Como é o vosso relacionamento com o resto dos associados do clube?
- Como em todos os clubes, há gente que nos apoia e gosta do que fazemos, outros que não tanto. Nós fazemos o que temos a fazer e somos imunes a opiniões de fora.

 

Acompanham também as modalidades ou apenas o futebol?
-Actualmente o Real só tem Futebol , ginástica, nataçao (sem competiçao) e kickboxing, pelo que temos seguido apenas o futebol.

 

Como é o vosso relacionamento com os outros grupos? Têm alguma rivalidade ou amizade com alguém?

- Nos tempos do hóquei da stuart tínhamos uma rivalidade muito forte com o Paço D’Arcos, mesmo antes do grupo ser fundado, um Stuart x P.A. era sempre um jogo tenso. Intensificou-se com a nossa fundação, mas desde que fomos obrigados a abandonar o pavilhão da nossa própria escola, não creio que haja algo suficientemente significativo que se possa chamar de rivalidade. Temos amizade com a Perigosa 14, Ultras Alhandra.
 

Pelo que sei, o grupo é composto na totalidade por malta jovem, como foi para vocês ingressar neste mundo sem qualquer tipo de conhecimento sobre o mesmo?

-Não é bem assim. Muitos dos nossos são em paralelo membros de outros grupos, nomeadamente do Sporting e Benfica. Posso dizer que quando começámos a frequentar as bancadas do Real já tínhamos algum conhecimento deste mundo, claro que reduzido comparando a muitos ultras mais velhos que nós, mas não éramos totais “leigos” na matéria, pelo que acho errado dizer que entrámos no mundo ultra sem qualquer conhecimento… Com o tempo vamos aprendendo cada vez mais sobre o mundo ultra e transmitindo a informação aos membros que não tem tanto contacto com este mundo no dia-a-dia.




Têm material próprio? Feito à mão?
- A nossa mentalidade passa muito por isso : fazer material à mão. Temos uma ou outra coisa mandada fazer mas a maior parte do nosso material é feita á mão. Sinceramente, a titulo pessoal dá-me tanto prazer os dias de jogo como os dias a fazer material. O convívio, os borrões de tinta, os “desenrascanços” quando algo não corre como planeado… tudo isso para mim é a verdadeira mentalidade Ultra que devemos todos seguir, daí termos tanta coisa feita á mão.

 

Acham que esta juventude que começa a aparecer nas curvas vai conseguir elevar para outro patamar o movimento Ultra Nacional?
- Sou muito pessimista, como jovem ultra que ainda agora está a dar os primeiros passos neste mundo, não acredito que seja possível voltar aos míticos anos 80-90 devido a vários factores como as leis, as novas medidas de segurança, a própria crise e o preço dos bilhetes, o abandono de muitos “pioneiros” que faziam falta às curvas , a repressão cada vez maior e sobretudo a falta do sentimento e das velhas maneiras dos tempos áureos deste movimento. No entanto, acho que existem novos valores com boas ideias, mentalidade e muita paixão que são o futuro do movimento ultra e podem sim elevar este mundo para um novo patamar, embora nunca igual aos tempos da velha escola. É pena que muitos veteranos se recusem a aceitar esta realidade e muitas vezes a nova guarda tenha que aprender sozinha….

 

O vosso grupo sofre ou já sofreu algum tipo de repressão? Seja da parte da direcção do clube ou mesmo policial..

- Infelizmente sim. Foi mesmo essa a principal razão que nos fez abandonar os jogos da nossa escola. A direcção do núcleo de hóquei em patins que tanto apoiámos utilizou todos os meios para nos afastar. Antes de mais, fazendo uma completa lavagem cerebral aos jogadores de forma a que ninguém gostasse de nós. Depois vieram as coisas piores... não nos deixaram meter faixas por dentro da tabela, confiscaram-nos material (como o tambor e o megafone), nunca tivemos transporte disponibilizado para os jogos fora, foi-nos dito para não aparecermos, o nosso nome foi quase que "proibido" e pirotecnia nem ve-la á excepçao do nosso 2º aniversário, enfim, um leque imenso de muitos e muitos mais casos de repressão que existiram, alguns mais graves que nem vou referir nesta entrevista. Não sei se podemos chamar a isto tudo "repressão" mas no fundo foram utilizados todos os meios, quer pressão psicológicas a nós e aos nossos pais como proibição de material (até a nossa própria faixa) e todo o tipo de formas de dificultar o nosso "trabalho". Tudo isto levou-nos a fazer um comunicado oficial que anuncia o nosso abandono dos jogos da Stuart, à nossa escola, e a dedicaçao a 100% ao Real SC que pode ser visto na nossa página oficial. Quanto á policia, nao temos razões de queixa, nunca sofremos repressão policial felizmente.
 
 

Alguma consideração que queiram fazer sobre o vosso grupo ou no geral?

- Acima de tudo, sejam verdadeiros e não se deixem influenciar nem pressionar por ninguém. Sei que por vezes é difícil ser compreendido, quer pelos amigos, outros adeptos, dirigentes, pais, polícia etc. mas se amas o teu clube e o teu grupo, lembra-te que Resistir é Vencer. E acima de tudo não te esqueças : NÓS SOMOS O FUTURO.

 

Muito obrigado por me concederem esta entrevista, tudo de bom para o grupo e fico-me pela vossa última frase: Não se esqueçam que nós somos o futuro !